Conversar com os mortos não é coisa de gente louca. É cotidiano, lugar-comum, costume de quem lê. As palavras formam um portal direto para outras vidas, outras mentes e sentimentos. Leio contos de séculos passados, e o que vejo? Um corpo já desaparecido da terra, transformado em matéria orgânica e quiçá parte de outras vidas, conversando comigo em sua antiga forma. Contando-me de suas rotinas, do que lhe fazia rir, chorar, amar, sofrer. Assisto ao desenrolar da história como quem vê um filme que acontece ao vivo. Meu tempo vira o tempo dele, e, assim, consegue voltar ao presente. Escrevo na presunção de voltar, após minha partida, ao ritmo do ponteiro dos segundos no relógio de outrém, para que possa lhe compartilhar da minha visão póstuma do que me acontece agora, e que seja tão louco, mas tão louco, que seja normal.
dizem que tenho tendência a atrapalhar a vida profissional de quem se envolve comigo. dizem, não, não dizem. que sei eu de profissão, além de amar? nasci amada e vou morrer amando, amor é minha carreira. não uso terno, saia lápis, blazer de duas pontas. mas ninguém sai triste de um abraço meu.
ciclo ci.clo 1 Intervalo de tempo durante o qual se completa uma sequência de uma sucessão regularmente recorrente de eventos ou fenômenos. 2 Evento raro, em atual inobservância. O que não é teu, mas te pertence. ** O cume que nunca chega, pois se parte em pedaços. ** Um tempo sem ponteiros, sem fronteiras, estável no plasma mental. ** Ouvi esses dias que o comportamento é apenas eletricidade percorrendo músculos. Tolos, todos eles.