Minha batina já está desbotada por cinco anos de profissão. Uma carreira empoeirada, se me permitem dizer. Mas meus grandes mestres - os terrenos - me ensinaram prestimosidades que duram por toda uma vida; confiar, por exemplo. Servos da ilusão e da matéria, nós, homens, temos a inegável pretensão de sermos melhores que o próximo. E, partindo dessa premissa, torna-se missão dificultosa acreditar em alguém à primeira vista. Aquela farpa fica incomodando nosso dedo, nos dizendo "não, não, não", quando tudo de que precisamos é um pouco mais de sins. Os céus já dizem, e eu tenho de reafirmar, não há chuva que não se anuncie por meio de nuvens. "Confiai, acreditai na bondade das pessoas, e não duvideis de suas intenções." Ontem, foi-me testado tal princípio. Lá de cima, Ele chorava rios e cachoeiras. Franzia o cenho e despejava cargas de trovões, transparentemente imundos. Aqui, o chão se desbarrancava, as árvores se assustavam e os animais faziam um silêncio ensurde...